
A cena que ali se concretizava por tanto tempo apenas vicejava os sonhos calorosos das noites em que ocupava sozinho seu claustro de desesperança. Sua mente vacilava entre o cansaço e a euforia da conquista presente sob seus olhos, entranhada em sua carne, irreversivelmente concretizada.
Outrora o via com sua certeza gestual de pretenso dono do mundo e suspirava por isso. Cobiçava-o. Pelo olhar, gingado, malícia; pela precisão com que executava sob o entalhe de seu corpo rijo os movimentos destros do seu dia. Era um conquistador nato - de almas e desejos. Um macho que atiçava e encorajava a lasciva dos desavisados andarilhos.
Mais uma vez lançou seu olhar para aquele corpo que dantes lhe afrontava os sentidos e agora lhe evocava a paz dos desejos realizados. Percebeu-se sentado só numa poltrona e sentiu frio; não tardaria amanhecer – precisava ser rápido, poucas horas lhe restariam.
Levantou-se e tocou contundente a tez morena e forte daquele que num enlace lhe acolheu com um largo sorriso alheio tentando aprisionar-lhe em seus braços. Sem saber o fez. Desde então ficara eternamente atrelado àquele abraço, ao quarto, ao instante, àquele que levara presa sua alma sem ao menos dizer-lhe o nome.
4 comentários:
há encontros que são de sempre e para sempre como vc escreveu
A face reveladora dos temores e virtudes da mente que seu texto demostra é algo que o domínio da escrita trás sempre em seu bojo...
Continue escrevendo, o texto é bom!
É isso...
vc é boa morte de veradade??
eu tb sou boa morte!!
jsboamorte@gmail.com
uau...uau...
até arrepiei!
seu texto me levou de volta para longe daqui. Num tempo só meu. De lembranças esquecidas e deixadas ir pelo vento que sopra para aliviar minhas dores, principalmente as de saudade!!
Voce é bom!!!
Bom mesmo!
beijão
e vou te seguir para ficar mais perto dessas lascivas palavras!
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